26 abril, 2011

why ?


 
Os pratos já estavam sobre a mesa, ela estava no quarto e fora dele duas vozes gritavam. As palavras que diziam perfuravam-lhe os ouvidos, baralhavam-lhe os pensamentos e deixavam as lágrimas deslizarem.
Ela tapava os ouvidos, mas as vozes gritavam mais alto. Até que a porta da saída bateu. Bateu com tamanha força que a assustou. Naquele momento ela apenas queria que alguém chegasse à beira dela e lhe dissesse que estava tudo bem, que as coisas iriam melhorar e que, ao contrário do que tinha percebido, aquela discussão não era por sua causa. Tudo o que ela pedia era uma pequena companhia até adormecer e um pequeno beijo de boa-noite na testa. Ninguém lhe satisfez aquelas tão desejadas coisas e acabou por adormecer sozinha, agarrada a um peluche, a chorar pela culpa que sentia nas palavras que ouvira.

Porquê tantos desentendimentos?

09 janeiro, 2011

Something ;



As pessoas passam. Todos vão para o mesmo sítio. O sítio onde todos “trabalham” sozinhos e onde todos querem ter mais um bocadinho que os outros. O sítio onde ninguém olha para si … o sítio onde as pessoas não sabem o que são.
A rua já não tem espaço para mim. Todos caminham no mesmo sentido, todos descem … mas eu, eu quero subir! Não quero ir para esse mundo! Tento resistir e caminhar contra todas as pessoas … pessoas que parecem robots, fixadas num só ponto e sem capacidade para se desviarem ou pararem.
Tento andar, mas o sítio onde estou é sempre o mesmo. Já prestes a desistir e a deixar-me ir, desfaleço aos poucos e poucos. De repente aparece alguém … alguém que quer ir para o mesmo sítio que eu. Agarra-me a mão e puxa-me. Puxa-me com a força necessária para sair do meio daquelas pessoas todas, tão iguais. E consegue.
E esse alguém és tu! Alguém diferente do resto, alguém que eu admiro imenso.

AMO-TE !

27 dezembro, 2010

A new world ;



Vivo num mundo desconhecido. O seu nome é “vida”. Nele já percorri ruas escuras e outras bem iluminadas. Já mil quarteirões conhecem os meus passos e já milhões de montras viram o meu reflexo. Já muitos passeios saborearam as minhas lágrimas e já muitas esquinas reconhecem o meu sorriso. Já muitos pilares conhecem o meu corpo de muitas vezes que me encostei para descansar e já muitas escadas aguentaram o meu peso quando não conseguia andar mais. E até o vento já conhece algumas das minhas histórias.
Os habitantes desse mundo, desconhecido e imprevisível, já me pregaram muitas partidas. Puseram-me entre a espada e a parede no que toca a decisões. Já me julgaram sem razão. Já me impuseram armadilhas para cair e não me conseguir levantar. Já me abandonaram quando mais precisava. Já prometeram muito mas nada cumpriram. E até já me ignoraram quando o que precisava era atenção.
Deste mundo não posso dizer nada. Posso apenas recordar o passado e orgulhar-me de já estar no presente. É incrível como a “vida” me conhece tão bem e eu dela nada sei … e por muito que já tenha percorrido ainda tenho imenso para andar.