04 agosto, 2010

Conspiração de amor ♥ (quatro)

 
Parte 4
E mais uma vez eu tinha razão. O olhar dele demonstrou uma certa insegurança em relação ao que iria afirmar.
Eu: Diz o que me queres dizer de uma vez por todas!
Ele: Eu não tenho a certeza se devo dizer isto, remexer no passado e trazê-lo de volta ao presente.
Eu: Já não tenho medo disso, e sabes porquê? Porque é impossível relembrar ainda mais o passado quando estou contigo. O exemplo de ontem …
Ele: Pára! Esquece o ontem, vive o hoje.
Eu: Sabes o quanto é difícil, não sabes?
Ele: Sei. Também te vi partir, e essa imagem não me sai da cabeça. É do passado …
Eu: Nada comparado ao que eu vejo e revejo todos os dias.
Ele: Pior.
Eu: Pior, J.? Pior do que te ver agarrado a ela? Pior do que te ver a falar dela e com ela nas minhas costas? Pior do que ser traída, ter sinais disso todos os dias e não querer admitir? Pior do que ter de acreditar na desculpa que lhe deste? Desculpa essa que me destruiu.
Ele: Que desculpa é que eu lhe dei?
Eu: Ai não sabes? Daquela vez que …
Ele: Ah já sei, desculpa.
Eu: Desculpa? Alguém disse que o que está feito está feito e não pode ser desfeito.
Ele: São imagens permanentes para ambos, mas por favor, perdoa-me. Só te peço isso!
Eu: Isso é demasiado J.
Ele: Por favor. Eu não aguento mais estar nesta angústia.
Eu: E eu? Achas que eu aguento afogar-me todos os dias em imagens. E o pior de tudo isto é que eu ainda te amo. Não sei como é possível mas é verdade. Amo-te como nunca amei ninguém. Acho-me estúpida, por isso. Quem não acha?
(levanto-me)
Ele: Por favor, não vás!
Eu: Porque?
Ele: Porque te amo.
Eu: Amas como das outras vezes? Amas quando não tens mais ninguém para amar? Amar é tudo menos traição. Eu odeio-te!
Ele: Odeias?
Eu: Não sejas parvo J.
Ele: Acredita em mim, uma vez, por favor!
Eu: O meu erro foi ter acreditado em ti. Disseste o mesmo da outra vez.
Ele: Desta vez é diferente. Eu juro que é.
Eu: Os teus juramentos não valem nada.
Ele: Não?
Eu: Vou embora.
Ele: Não vais nada. Conheço-te suficientemente bem para saber que se fores embora vais passar o resto do dia a remoer nesta conversa.
Eu: Que bom para ti.
Ele: Por favor, fica!
Eu: Não fico, mas tu também não. Vem comigo.
Descemos os dois do telhado e fomos para o meu quarto. Sentei-me em frente ao PC onde se encontrava a máquina a carregar. Abri a pasta de imagens e deixei-o sentar-se a ver todas aquelas recordações.
Mal abriu a primeira imagem derramou uma lágrima, coisa que não esperava.
Ele: Somos nós …
Eu: Sim. Quando éramos felizes. Quando a minha inocência predominava, lembraste?
Ele. Claro que lembro … como me esqueceria?
Eu: Eu tentei esquecer tudo isso.
Ele: Eu nunca quis esquecer.
Foi vendo e revendo cada imagem, cada lembrança dos dias efémeros. Passaram-se horas e ele via-as vezes sem fim. Quando decidiu parar disse:
Ele: São estas minuciosas coisas que fortalecem o amor que sinto por ti.
Eu: Tu não sentes nada por mim.
Ele: Pára miúda. Conheces-me bem e sabes que eu desisto facilmente das coisas. Sabes que ao primeiro obstáculo deixo tudo para trás. E quantos já apareceram? Eu quero-te. Desta vez quero mesmo. Eu juro que sim.
Eu: Já te disse que …
Ele: Sim, os meus juramentos não valem de nada, mas acredita. Desta vez não te vou desiludir!
Eu: Não sei J.
Ele: Eu amo-te, tu amas-me … não percebo!
Eu: Não é assim tão simples.
Ele: Pois não, o amor é complexo.
Eu: É.
Ele. Nós temos tudo para o tornar bem mais real do que uma fantasia.
Houve outra aproximação, outro beijo. Mais intenso e seguro. Com força de razão e convencido de que nada o desmoronaria.
Senti uma necessidade enorme de o abraçar, e fi-lo. Abracei-o com toda a força que tinha. Ele fez o mesmo. Esmagamos todas as memórias que teimavam em estragar o momento.
Eu: Sabes que não vai haver o ‘para sempre’ não sabes?
Ele: Enquanto estiver nos teus braços o ‘para sempre’ é breve.
Eu: É?
Ele: Sim. Mas deixa-me estar, estou tão bem. Já te disse que te amo?
Eu: Muitas vezes.
Ele: Mais uma faz mal?
Eu: Muito mal … iludes-me demasiado.
Ele: Não comeces.
Eu: Sabes que sou assim. Estou feliz, nem que seja por instantes.
Ele: Amo-te!
Eu: Odeio-te!
Ele: Assim tanto?
Eu: Imenso meu amor.
Esta história não verídica continua no próximo post (:

02 agosto, 2010

Conspiração de amor ♥ (três)



Parte 3
Vagueando pelo passado
Já não havia mais lágrimas para chorar, nem mais imagens para relembrar. Fiquei completamente destruída, mas com uma tremenda vontade de o ver. Sentimentos contraditórios, eu sei.
Enquanto vasculhava as pastas de imagens da reciclagem encontrei uma especial e o seu nome chamou-me a atenção: ‘Reviravolta do passado ♥’ Não sabia o seu conteúdo e nem me atrevi a abri-la, no entanto não a eliminei.
Na pasta ‘Retalhos da vida ’ encontrei 185 músicas à escolha, mas só seleccionei 12 para ouvir. Não eram umas músicas quaisquer, eram as nossas músicas. Estava a desfrutar delas quando aquelas malditas imagens interferiram e arruinaram os meus pensamentos. Pensamentos consideravelmente estranhos após o que se tinha sucedido há umas horas atrás. Enfim … desta vez venci. Expulsei todas as minhas fraquezas e os medos lancei-os para o futuro distante. Adiar os problemas não resolve a situação mas diminui a minha dor. Aquelas imagens faziam parte dos medos, mas não dos que lancei para o futuro. Elas foram excepção, ficando no passado. Era o sítio indicado para elas. Não foi fácil, mas eu consegui e fico orgulhosa disso.
Já não me aguentava em pé, eram emoções a mais para mim e fui deitar-me. Aconcheguei-me no meio de memórias e conversas com o meu coração e passei a noite nisso. Afoguei-me em lágrimas de orgulho e de felicidade, de tristeza também, quando imaginava que mais nenhuma lágrima se derramaria.
No dia seguinte acordei cedo demais e decidi arrumar o meu quarto. Não é que estivesse muito desarrumado, mas não tinha mais nada para fazer … enquanto organizava os milhares de cartões de memória da minha máquina fotográfica encontrei um de 3GB que não sabia que existia. Curiosa coloquei-o na máquina que por sua vez estava descarregada, e de seguida procurei o carregador da mesma. Liguei a máquina ao PC. Era apenas uma pasta de imagens que preenchia o cartão, tal como preenchia uma pequena (grande) parte do meu coração. Depois de as ver e rever recordei todos os momentos que passamos, só eu e o J. Eram as imagens dos nossos encontros, das nossas brincadeiras e asneiras, resumindo … estava lá a nossa relação toda. Uma imagem passada, uma lágrima derramada e uma emoção desconhecida. Fiquei naquele impasse minutos a fio … desconhecendo a verdadeira razão do acontecimento.
Não suportava mais aquele calor que se fazia sentir dentro de casa e saí. Passeei por entre as árvores densas da floresta até que, contrariada, estava na clareira onde tudo começara. Não queria recordar nada do que se passara na noite anterior e corri tentando desviar-me de todos os caminhos que me forçavam a fazê-lo. Queria mesmo ir para o telhado, mas não podia, ou talvez pudesse. Combati essa mágoa e subi ao cimo do orgulho. Nos primeiros segundos aquele sítio fez-me relembrar toda a ocorrência da noite passada, mas consegui combater tudo isso.
Ouvi uns barulhinhos e por instinto olhei para o lado e qual é o meu espanto ao deparar-me com J. a subir ao telhado. Sentou-se ao meu lado e eu apercebi-me que algo mais ia acontecer…


Nota 1: No meu PC há apenas uma pasta principal, a minha pasta, que por acaso se chama ‘Retalhos da vida ’ e nessa pasta tenho uma outra com 185 músicas e ouvi apenas 12 para me inspirar. Interessante, não?
Nota 2: Há continuação no próximo post (:
Nota 3: Para quem ainda não sabe, esta história não é verídica!
Nota 4: Postarei os selos do Flávio assim que puder!  xD

30 julho, 2010

Conspiração de amor ♥ (dois)


Parte 2
Porque não me limitei a sair dali para fora? Ah, sim, porque sou uma idiota
Depois de lhe ter enviado aquela carta ansiei pela visita dele. Passaram-se meses e meses e a esperança começou a desvanecer-se. Não se foi embora, apenas fracassou.
Uma noite subi ao telhado, novamente e jurei a mim mesma que o iria esquecer. Devem estar a achar estranho eu ter escolhido o telhado, mas não é! Escolhi-o porque foi naquele nosso refúgio que nos comprometemos e seria naquele refúgio que o ‘nós’ iria deixar de existir. Ou talvez fosse.
No dia seguinte acordei como já não acordava há cinco meses atrás e fiz o habitual. Tratei da minha higiene e fui buscar a correspondência, mas não, não ia com expectativas de encontrar uma outra carta. Deixei o correio em cima da mesa da cozinha, corri para o quarto e procurei a minha guitarra. Já não a usava há algum tempo. Fui para o telhado tocar … estava feliz! Pelos menos algo me indicava que sim. Pareceu-me que a felicidade me bateu à porta de uma forma inexplicável e instantânea. Só queria que viesse para ficar. Toquei e reflecti ... e quando dei por mim já era tarde.
Preparava-me para entrar em casa quando ouvi um ruído e olhei para trás, com máxima rapidez.
Era apenas a Mia, a minha gata, que tinha partido um vaso da minha mãe. Correu para junto de mim após o estrondo, de tão assustada que estava e eu peguei nela. Olhou para mim só da maneira que ela sabe olhar e os seus olhos aclamavam por perdão. Quem será que me fazia lembrar... Larguei-a de repente sem noção do que estava a fazer e toda a minha felicidade escapuliu-me. ‘Agora até uma gata faz com que me lembre de ti’ - pensei. Mas ... como é que uma gata partia um vaso que estava no chão? Fez-se luz na minha cabeça. Corri por entre as muitas árvores da floresta densa e, numa clareira vejo alguém tropeçar numa pedra. Atrapalhado tenta levantar-se mas não dei a mínima hipótese de o fazer. Com uma voz doce afirmou que estava perdido e entretanto paralisei. Reconhecia aquela voz, era-me tão familiar e impossível de esquecer. Com a minha ajuda ele levantou-se e a pouca luz da lua iluminou o seu rosto … era ele! Iniciámos, melhor ... ele iniciou uma conversa, com um ar um tanto embaraçoso enquanto eu continuava boquiaberta.
Ele: ‘Huum, olá?
Eu: …
Ele: ‘Desculpa se te assustei, não era minha intenção. Não aguentei esperar até adquirir coragem para vir, porque as saudades são imensas. Desculpa.’
Eu: …
Ele. ‘Não dizes nada? Estás a deixar-me ainda mais nervoso!
Eu: Parece que é mais fácil expressares-te por palavras.
Ele: ‘Não sei. Talvez não.’
Eu: ‘Queres dizer-me alguma coisa?’
Ele: ‘Podemos ir para o nosso refúgio?’
Acenei um ‘sim’, caminhámos até minha casa e subimos ao telhado. Sentámos-nos lado a lado e olhámos o céu daquela fantástica e quente noite. Mas a tensão permanecia no ar teimando em ficar,  o melhor era que a sua intensidade diminuía aos poucos e poucos.
Gentilmente pegou-me na mão e eu olhei para ele embaraçada e eufórica ao mesmo tempo. O seu rosto estava encantador como sempre ficava quando era iluminado pela luz das estrelas que pareciam brilhar cada vez mais. Mas naquela noite a lua estava só ... as estrelas foram para o outro lado  do céu sem terem pena da lua. Enquanto eu tirava conclusões acerca da maldade delas ele desviou o olhar do céu ... e olhou para mim dizendo:
Ele: ‘Tenho de te dizer uma coisa.’
Eu: ‘Diz-me!’
Ele: ‘Eu amo-te!’
Eu: ‘ Eu também te amo … ‘
Naquela noite eu não era a única a sentir a euforia dentro de mim. Os pequenos animais da floresta chilreavam e cantavam as suas músicas tentando embelezar o ambiente que nos rodeava. Comentámos isso por longos minutos até que ele se aproximou e os seus lábios tocaram os meus, muito suavemente desencadeando um beijo longo e sentido.
Enquanto isso acontecia, quando menos esperava as imagens do passado assaltaram-me o coração, recordando os vestígios deixados anteriormente. Estava a ter uma dor insuportável e foi o suficiente para eu o afastar. Incrédulo olha para mim e pergunta:
Ele: 'Eu pensava que querias isto. Pensava que me amavas como disseste na carta. Então? Não me amas?’
Eu: ‘Não! Eu não te amo. Fizeste-me sofrer bastante e parece que só queres o teu conforto neste momento. Sabes, as memórias do passado assaltaram-me! Não, não te amo.’
Desci, entrei em casa e fui para o meu quarto. Atirei-me para cima da cama inundando-a de lágrimas de arrependimento. 'Eu não tive culpa, juro que não!' Tentava dizer em silêncio por entre lágrimas mas as imagens  contrariavam-me causando-me uma dor efémera mas que parecia nunca mais acabar. Elas entranharam-se no meu coração e deixaram-me fraca, sem defesas e imóvel de volta ao passado.

História não verídica e inacabada.
Prometo continuação no próximo post.